Hospital São Francisco

Coração foi o primeiro órgão transplantado na Santa Casa em 2020

Publicado 22 de janeiro de 2020
Coração foi o primeiro órgão transplantado na Santa Casa em 2020

“Iniciei 2020 sentindo o meu coração bater e meu corpo pulsar novamente”. Essas foram as palavras de James Cassiano da Silva (35), pai de três filhos, ao traduzir o seu sentimento quando acordou da recuperação da cirurgia que lhe possibilitou retomar o seu fôlego e realizar as atividades que, para a maioria das pessoas, são muito simples. “Eu já não conseguia andar, respirar, sentir o ar dentro de mim. Agora, eu sou outra pessoa. Tenho ânimo novamente”, explica James. O transplante de coração, realizado em 1º de janeiro de 2020 na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, era a única opção para a reversão do seu estado de saúde.

Diagnosticado em maio de 2019 com uma miocardiopatia dilatada decorrente de uma miocardite, o pedagogo estava com somente 20% da sua função cardíaca. O diagnóstico veio após dar entrada na emergência do hospital sentindo falta de ar. Devido ao sintoma, a família pensou se tratar de uma crise de asma. Porém, ao realizar exames durante o atendimento de emergência, uma radiografia apontou que o seu coração estava muito grande e seus pulmões estavam com água. “Ali, já fiquei ciente que precisaria de um novo coração para sobreviver”, relembra. Após 16 dias de internação, James pôde dar continuidade ao tratamento em casa. Porém, ao voltar à Santa Casa para nova consulta e exames em agosto, seu coração já tinha diminuído a sua capacidade, estava agora em 15%. Foram quase cinco meses internado à espera de um coração compatível até que o grande dia chegou com a virada do ano.

Agora, graças à solidariedade de uma família que autorizou a doação de órgãos de um ente querido, James, sua esposa e seus três filhos, respiram aliviados e prontos para retomar as suas vidas. “Após o transplante, as pessoas ficam extremamente gratas a esta segunda chance de vida e se tornam militantes desta causa que é tão nobre”, explica o diretor médico do Hospital São Francisco e cirurgião cardiovascular dr. Fernando Lucchese.

O chefe do Serviço de Cardiologia da Santa Casa, dr. Paulo Leães, reforça a questão de que o sucesso dos transplantes proporciona aos pacientes uma nova oportunidade de vida: “E isto só é possível com a doação de órgãos, portanto, é importante as pessoas conversarem com as suas famílias sobre o desejo de se tornar um doador. Assim, muitos outros James poderão voltar a conviver - com qualidade - junto as suas famílias”, finaliza.

Transplantes de coração

Em 2019, foram realizados 26 transplantes de coração no Rio Grande do Sul e, em dezembro, 15 pessoas estavam na fila de espera pelo órgão no estado. (Fonte: Central de Transplantes do RS*). Deste total de cirurgias, seis ocorreram na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, referência brasileira na realização de transplantes.

*https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/202001/15161543-divulgacao-2019-atualizada-em-07-01-2020-area-tecnica.pdf

Texto: Adriana Contieri Abad

Foto: Carol Fornasier

 


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