Hospital São Francisco

Santa Casa realiza procedimento inédito para tratamento de arritmias graves

Publicado 24 de abril de 2019
Santa Casa realiza procedimento inédito para tratamento de arritmias graves

Crioablação utiliza cateter com resfriamento para eliminar focos de batimentos anormais do coração e representa esperança de cura para portadores da doença.

Os pacientes que sofrem de arritmias complexas agora possuem uma nova esperança de tratamento. A equipe do Centro Internacional de Arritmias - Instituto J. Brugada, localizado no Hospital São Francisco da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre realizou nesta terça-feira (23/04) os primeiros procedimentos de crioablação no Rio Grande do Sul.

Na nova técnica, a ponta do cateter sofre um congelamento que varia entre -60ºC e -70ºC, sendo extremamente pontual no contato com o foco da arritmia sem afetar as estruturas nobres ao redor. A crioablação é utilizada principalmente para tratar a fibrilação atrial, um tipo de arritmia caracterizada por batimentos cardíacos irregulares, sendo a responsável por 25% de todas as causas de acidente vascular cerebral. Os sintomas da fibrilação atrial provocam uma perda da qualidade de vida, muitas vezes levando a um quadro de difícil tratamento clínico.

A ablação convencional continuará atendendo 90% das pessoas que possuem arritmia, sendo a crioablação destinada aos casos mais complexos e selecionados em que houve insucesso ou impossibilidade com outros métodos. “Existem situações que o procedimento não pode ir adiante através da ablação pois o aquecimento do cateter pode gerar a queimadura de estrutura nobres. A crioablação nos permite deflagrar o tratamento com a possibilidade de o risco ser bem menor nestes casos específicos. Pacientes que há anos buscam uma solução, que têm dificuldades de serem tratados devido a complexidade do caso, agora possuem essa possibilidade”, explica o cardiologista e coordenador do Centro de Arritmias da Santa Casa, Carlos Kalil.

A dentista Joana Severo foi a primeira paciente a passar pelo novo procedimento da Santa Casa. A causa da arritmia da jovem de 22 anos era uma doença congênita chamada Wolf Parkinson White. “Estava acompanhando minha mãe e minha vó em uma consulta e, por curiosidade, quis fazer o exame pois já havia sentido algumas palpitações. No mesmo instante fiz o eletrocardiograma e já foi constatado o problema. Tinha duas opções: a cirurgia ou o tratamento com remédios. Optei pela cirurgia pois queria a cura. Primeiro tentei a ablação, mas foi sem sucesso porque poderia gerar outras complicações. Iniciei o tratamento com remédios e, após algum tempo, surgiu a possibilidade da crioablação”, detalha Joana. Menos de 24 horas após a realização do procedimento, ela já recebeu alta. “Já caminhei pelo hospital, estou me sentindo muito bem, não apareceu mais nada no eletrocardiograma e posso voltar a fazer atividades físicas como os esportes radicais que eu gosto. Agora é vida normal”, comemora a jovem.

Texto: Carol Fornasier


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