Hospital Santa Rita

Santa Casa aplica técnica inovadora para prevenir rejeição de transplantes

Publicado 19 de janeiro de 2018
Santa Casa aplica técnica inovadora para prevenir rejeição de transplantes

Há dois anos, a equipe de Radioterapia do Hospital Santa Rita da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre desenvolveu e aplicou – de maneira inédita no país - a irradiação de grandes volumes em um caso de pós-transplante pulmonar. O paciente, à época com 14 anos, teve seu novo enxerto rejeitado pelo organismo e a aplicação do método reverteu a situação: "Esta técnica irradiou as drenagens linfáticas dele para que as células que estavam rejeitando o pulmão deixassem de existir", conta a Radio Oncologista Juliana Matiello que explica, ainda, que essa aplicação é muito rara. "Sem ela, ele teria perdido o transplante", complementa.

A novidade, agora, trata-se de novos cálculos para a utilização da irradiação corpórea total no preparo de pacientes que serão submetidos a transplante de medula óssea, proporcionando a otimização do tratamento nos locais que devem receber a radiação. Além disso, possibilita uma radiação menos intensa em órgãos que são mais sensíveis a irradiação, reduzindo os efeitos colaterais nas áreas sadias do corpo. “O procedimento de irradiação de corpo total prévio ao tratamento de transplante de medula óssea é uma técnica bem consolidada no Hospital Santa Rita. A diferença aqui é uma nova técnica de cálculo físico que otimiza o tratamento e traz benefícios aos pacientes”, explica Neiro Motta, chefe do serviço de Radioterapia da Santa Casa.

Os cálculos desenvolvidos pela equipe da Radioterapia do Hospital Santa Rita permitem uma radiação mais inteligente e eficiente, uma vez que trata o alvo (a medula) com doses necessárias, conseguindo diminuir as doses nos órgãos sadios como pulmão e rim, principalmente. "Quando órgãos sadios são afetados pela irradiação total, a longo prazo os pacientes podem desenvolver diminuição da função pulmonar ou renal, por exemplo", explica Juliana.

Como funciona
Antes do transplante, é necessário realizar uma ablação da medula existente, ou seja, fazer com que a medula atual do paciente deixe de funcionar, para que o organismo possa receber o novo enxerto, minimizando as chances de rejeição. O tratamento é geralmente feito em seis sessões, divididas em duas aplicações por três dias seguidos e o transplante costuma ser realizado em poucos dias.

No caso de aplicação em paciente transplantado que rejeita o órgão novo, a irradiação é feita em todas as cadeias linfáticas, para diminuir as células responsáveis pela rejeição. “Mais uma vez, a técnica de otimização de arcos volumétricos é utilizada, intencionando diminuir dose em tecidos sadios” explica a física Samira Junges.

Hospital Santa Rita
Primeiro hospital do Rio Grande do Sul focado em prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer. Integra o complexo da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e conta com um dos maiores parques radioterápicos do Brasil, além de um corpo funcional dedicado à pesquisa em novos tratamentos contra o câncer.

Texto: Adriana Contieri Abad/Santa Casa
Foto: Rogério Brandão/Santa Casa


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