Primeiro transplante de pulmão da América do Sul completa 20 anos Transcorre neste sábado, 16 de maio os 20 anos do primeiro transplante de pulmão da América do Sul, realizado pela equipe médica da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, liderada pelo cirurgião torácico Dr. José Camargo. Para celebrar a data será realizada uma cerimônia nesta sexta-feira, 15 de maio, às 11h, no Anfiteatro do Hospital Dom Vicente Scherer (6° andar, Avenida Independência, 75). Desde 1989 foram realizados 307 transplantes de pulmão na Santa Casa (inicialmente no Pavilhão Pereira Filho e desde 2002, no Hospital Dom Vicente Scherer), incluindo os 25 transplantes com doadores vivos. Este número representa 67,5% dos 455 transplantes de pulmão realizados até hoje no Brasil. Pacientes de 19 estados já foram transplantados do pulmão na Instituição. A Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre faz parte da trajetória histórica dos transplantes no mundo por sua excelência e seu ineditismo em procedimentos. O transplante de pulmão na América Latina foi iniciado em 16 de maio de 1989, na Santa Casa de Porto Alegre. A iniciativa representou um grande esforço institucional no momento em que o hospital empreendia sua recuperação econômica e estrutural. Segundo o Dr. José Camargo, a Santa Casa, por mérito do então diretor geral da Instituição, Dr. João Polanczyk, apostou nos transplantes como forma de alcançar visibilidade externa, recursos e doações e principalmente como forma de agregar qualificação técnica à Instituição. Depois de longa preparação laboratorial com transplante em cães em Porto Alegre e na Clínica Mayo (EUA), cinco cursos e seminários sobre o tema em Toronto, foi incluído em lista de espera o primeiro paciente, um jovem catarinense de 27 anos, de Vargeão do Oeste (SC), portador de bronquiolite e dependente de O2 há 3 anos. “Na inesquecível madrugada de 15 para 16 de maio, numa noite fria de outono, um jovem de 24 anos, de Novo Hamburgo, que havia sofrido morte encefálica foi oferecido como doador. Os testes mostraram compatibilidade perfeita. A longa espera de Vilamir estava terminada e mergulhamos juntos no fantástico mundo dos transplantes”, recorda o Dr. José Camargo. Entre os dez primeiros transplantes realizados, nove transplantados se recuperaram bem. Estes resultados atraíram para a Santa Casa pacientes pulmonares graves de todo o país. Durante duas décadas após o primeiro transplante, a Santa Casa foi o palco de outros procedimentos pioneiros. Em 1993 foi realizado o primeiro transplante duplo de pulmões da América do Sul. Já em 1999, com uma experiência solidificada em transplante convencional, a equipe da Santa Casa fez o primeiro transplante de pulmão com doadores vivos, realizado fora dos EUA. A Santa Casa recebe especialistas de vários estados brasileiros interessados em desenvolver novos programas de transplante ou em qualificar programas já em funcionamento. Workshops sobre as etapas de transplantes têm sido apresentados em vários centros sul-americanos, no México, Portugal, Espanha e Japão, além de convite para realizar o transplante intervivos em Israel. O transplante de pulmão foi durante muitos anos uma exclusividade da Santa Casa e permitiu que ela ostentasse a condição de único hospital sul-americano a realizar todos os tipos de transplante. “Esta questão foi a chamada da campanha para a construção do Hospital Dom Vicente Scherer, inaugurado em 2001, edificado com doações de grandes empresas como a Gerdau, Ipiranga, Copesul e Unibanco, responsáveis por 80% da verba, que contou com ajuda complementar do governo federal”, concluiu o Dr. José Camargo. Passados 20 anos, o programa de transplante pulmonar da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre segue como modelo continental e um dos mais ativos programas institucionais do mundo. |
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